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Monday, May 21, 2007

REVISITANDO A OBRA DO PEQUENO PRÍNCIPE


Entre os anos de 1966 e 1970, o Pequeno Príncipe abandona o reino da Jovem Guarda e embarca nos cometas da psicodelia.


Provavelmente, as pessoas da minha geração (nascidos ao longo da década de oitenta) tenham relacionado em sua cabeça o nome de Ronnie Von com os delírios insandecidos e suspiros apaixonados de nossas tias-avós. De fato, Ronnie ostenta e, de certa forma, tem sua imagem impregnada pelo título de galã-mor da Jovem Guarda. Ao lado de Roberto Carlos e companhia, o cantor fez história em meio aos refrões fáceis estilo iê-iê-iê e regravações “aportuguesadas” dos Beatles.


Há quem associe o nome Ronnie Von com as canções de forte apelo romântico-popular – “brega” mesmo, para os menos chegados a eufemismos. O próprio cantor, em recente declaração à revista Carta Capital, se revelou não muito criterioso na escolha de seu repertório, que na maior parte das vezes era definido realmente pelo setor de marketing de sua gravadora.


O que ainda é pouco conhecido do grande público é uma outra nuance do artista, justamente a considerada mais significativa pela mídia especializada. Na fase compreendida entre os anos de 1966 e 1972, Ronnie Von se dedicaria a alguns projetos com um conteúdo bem diferente daqueles que marcaram sua carreira durante a Jovem Guarda. Na segunda metade da década de 1960, mesmo os Beatles já haviam embarcado em outra viagem (!). O quarteto inglês adotou um som bem mais psicodélico, carregado de experimentalismos. Nessa época surgiram grandes refêrencias para o estilo, verdadeiras pérolas como o Álbum Branco, lançado em 1968. Ronnie Von também chegou a transitar por essas áreas mais progressivas. É o que mostra a trilogia relançada recentemente pela Universal, que conta com dois discos homônimos (lançados em 1966 e 1968) e o disco A Máquina Voadora, de 1970. O primeiro com muitas regravações dos Beatles; o segundo com os dois pés afundados na psicodelia; e o terceiro já retomando o galã romantico da Jovem Guarda, mas ainda com muitos traços da ousadia e experimentalismo dos dois trabalhos anteriores.


Ronnie Von – um rapaz bem nascido, amante de jazz e apreciador de bons vinhos – deu prosseguimento a sua carreira popular, de forte apelo comercial, mas ele mesmo não poderia imaginar que sua fase mais inquieta seria revisitada por uma grande gravadora, 40 anos depois. Esses três discos tiveram uma grande procura por parte de “jovens roqueiros” que passaram a cultivar um grande interesse pela fase mais “underground” do cantor.


O Tributo


Ronnie Von chegou a tocar com Rita Lee e os Mutantes na década de 1960, em seu programa na TV Record. Ao que parece, ele continua inspirando novas gerações de bandas de rock. Prova disso é o mais novo Tributo ao Ronnie Von, dirigido de forma independente pela jornalista Flávia Durante. O projeto consiste em em um disco virtual de dois volumes com músicas da fase psicodélica de Ronnie interpretadas por novas bandas de rock. “Há participações de bandas de todo Brasil, do Pará ao Rio Grande do Sul, o que prova que a obra de Ronnie Von atrai o interesse de vários fãs de boa música. E todos interessados em colocar o nome do artista em seu devido lugar na história do rock brasileiro”, esclarece Flávia, em um texto do site oficial do projeto.


Todas as músicas podem ser baixadas gratuitamente pelo site “Tudo de Novo – Tributo a Ronnie Von”. Confira lá as faixas e outros detalhes sobre a coletânea. Acompanhe também o blog dedicado ao projeto. Lá você terá acesso a um extenso arquivos de clipping a respeito do cantor, detalhes sobre as bandas participantes e algumas entrevistas em vídeo com o próprio Ronnie.

Thursday, May 10, 2007

Na trilha do independente...

A banda capixaba Antemic dá prosseguimento aos preparativos de seu próximo trabalho, esperado para o segundo semestre deste ano.


Antemic, ainda com o baixista Arthur Navarro (último da direita). Foto "roubada" do fotolog da banda.



Com mais de três anos de história e muita poeira da estrada na bagagem, o Antemic passa atualmente por uma fase de importantes decisões a respeito de sua trajetória. Do lançamento do primeiro EP homônimo até aqui, a banda passou por diversas mudanças em sua formação original. A última, no início deste ano, resultou na saída de um de seus fundadores, o baixista Arthur Navarro. Para o seu lugar foi escalado Léo que, entre outros projetos, faz parte das bandas Volume 7 e Take Me. O Antemic passou ainda por uma série de shows com músicos convidados e agora, tendo finalmente sua nova formação 100% reunida, começa a rever antigos projetos e caminhos a seguir. Entre eles, está o lançamento do próximo trabalho. Com algumas músicas já preparadas, a banda planeja voltar ao estúdio para mais algumas gravações que possivelmente resultarão no seu primeiro disco inteiro. Já não era sem tempo! Inicialmente, o disco deverá sair pelo selo independente paulista Highlight Sounds.


O Antemic já rodou por todos os estados da região sudeste, conquistando reconhecimento por onde passa. Apesar da vista grossa da mídia generalista capixaba em relação ao que acontece em seu próprio quintal, o repertório apresentado nos shows e o material gravado até agora têm potencial para firmar a banda como um dos nomes mais fortes da música independente feita no Espírito Santo e, quem sabe, conquistar o restante do país. Duvida? Então confira algumas músicas que farão parte do disco na playlist do A&P.


Fugindo de rótulos


Definições são sempre um caminho sinuoso para qualquer jornalista. Quase sempre o que se consegue é contrariar todos os fãs e também os artistas. Tratando-se do cenário musical contemporâneo, acredito que as dificuldades sejam ainda maiores. As novas tecnologias possibilitam a diversidade sonora e o intercâmbio entre diferentes artistas de diferentes localidades. A facilidade de acesso torna a música policromática e os rótulos perdem a validade na velocidade de um click. O Antemic é mais uma das bandas que dispensa rótulos. Apesar de ter os dois pés fincados no punk rock/hardcore melódico do fim dos anos noventa, os quarteto de Vitória se vale de influências como Hot Water Music, Foo Fighters e The Used para transpor os limites dos power chords e riffs oitavados característicos do hardcore californiano.


De qualquer forma, a banda rejeita o caminho fácil, aberto por grupos como NX Zero, Fresno e CPM22 na grande mídia especializada do país. Apesar de apresentar uma gênese sonora que passa por influências básicas comuns, o caminho escolhido os distancia completamentamente do gênero definido como “emo” pela grande mídia. “O Fábio Júnior já fez sucesso, então alguém resolveu pegar o som do Fábio Júnior e colocar um pouco de distorção no fundo. Essa proposta definitavemente não nos interessa”, alfineta o guitarrista Zé Neto, em entrevista ao Álcool & Prozac.


Não espere choramingos, cigarro metolado ou crises existenciais pré-adolescentes. A intensidade neste caso é fruto de rock'n'roll sincero, sem pieguices e lugares-comuns. Como liberdade e personalidade não combinam necessariamente com sucessos de vendas para o mercado nacional, o caminho até o “mainstreem” não é dos mais fáceis para quem não se adequa facilmente aos padrões.


O difícil caminho da música independente (sobretudo no Espírito Santo)


Dificuldade não é novidade para as bandas que procuram algum tipo de sobrevida no circuito independente de Vitória. Além das críticas em relação à estrutura para shows e ao despreparo dos veículos de comunicação locais, os cachês insuficientes e a falta de apoio já contribuiram para que fosse jogada a última pá de terra sobre muitas bandas boas que surgiram por aqui. De acordo com o guitarrista do Antemic, Alexandre, as turnês realizadas pela banda são muitas vezes deficitárias e o ambiente local também não permite vislumbrar um bom horizonte, a curto prazo.


A despeito de todas as dificuldades o A&P deseja sucesso e vida longa a todas as bandas que trilham esse caminho. Enquanto isso, o Antemic se revigora com o fôlego novo de seus novos integrantes para continuar, como tantas outras bandas, perseguindo seus moinhos de vento.




Estou disponibilizando uma pequena entrevista realizada com a banda para o Telejornal Laboratório do Curso de Comunicação da UFES. Lembrando que a qualidade ainda não é das melhores pois a entrevista foi feita de maneira independente, com filmadora digital e sem uma grande produção. Fiz uma pequena edição, um pouco superficial para adequar aos 2 minutos de espaço concedido no Telejornal Rascunho da Universidade. Agradecimentos especiais ao meu grande amigo Vitor Taveira (que ajudou com as filmagens) e ao monitor do LabCom, Mauro, pela força nas edições. Espero que gostem.





Thursday, October 12, 2006

Udora, Diesel e "A Volta dos que não Foram"



"A volta dos que não foram" será o nome do novo disco em protuguês. De acordo com o vocalista Gustavo Drumont, a banda não deverá mudar de nome.

Reviravoltas e mudanças drásticas já não são novidade para a banda mineira Udora (ex-Diesel). Por fim, a ordem dos últimos acontecimentos na história do grupo culminou com o retorno deles ao Brasil. No dia 28 de Setembro, o frontman Gustavo Drummont desembarcou em Belo Horizonte trazendo à tira colo os fragmentos de dois projetos distintos. Para a banda, 12 novas canções (todas em português!) que darão o tom aos novos caminhos a ser trilhados pelo coletivo. Outras 18 canções já finalizadas integrarão um projeto solo do vocalista. Segundo o próprio Gustavo, o trabalho solo terá um estilo mais folk. O próprio autor o compara ao som da cantora canadense Leslie Feist e do estadunidense Ryan Adams.

Conforme divulgado pelo cantor/compositor/guitarrista/líder e porta-voz na comunidade da banda no Orkut, os integrantes remanescentes já estiveram reunidos para discutir o futuro do Udora. Após o encontro, TC decidiu abandonar o grupo e o Guitarrista Leo Marques continua. Se juntam a eles os músicos mineiros Daniel Debarry e PH (baixo e bateria, respectivamente).

Os fãs da banda devem estar acostumados com esse tipo de mudança aparentemente repentina. Após ganhar a Escalada do Rock e tocar no palco mundo do Rock in Rio, em 2001, o ainda intitulado “Diesel” demonstrava sérias intenções de trocar as terras tupiniquins pelos ares do norte. Na ocasião, em entrevista ao jornalista Thiago Cardim da America On Line, Drummont teria mencionado o interesse em seguir os passos do Sepultura e se aventurar mundo a fora, em busca de reconhecimento internacional. Quem parece ter levado essa conversa bem a sério é o ex-baterista, Jean Dolabella, que atualmente excursiona com a banda de Andreas, Derek e Paulo. Eles passaram pelo Espírito Santo no mês passado.

Após morar durante meses dentro de uma van, mudar completamente de som, roupa e corte de cabelo...Após quase quatro anos em Los Angeles (CA), um contrato frustado com a J Records e uma série de shows importantes, entre eles uma turnê com o mito grunge Jerry Cantrell (ex-Alice in Chains)...eles estão de volta. Quem viu os rapazes saírem daqui em 2002 poderá não reconhece-los, mas o que fica claro, mesmo diante de tantos obstáculos, é sua criatividade e determinação para recomeçar do zero, formulando um novo conceito e, desta vez, com um novo idioma. Seu talento e capacidade são inquestionáveis, coisa que os dois álbuns lançados até agora podem comprovar. O que nos resta é torcer para que os caras façam as escolhas corretas e obtenham o reconhecimento esperado para viver do que gostam e sabem fazer.
Cara leitor, eu poderia desperdiçar mais alguns minutos do seu precioso dia e de quebra deixar este post tão extenso a ponto de assustar os olhos mais cansados. De qualquer forma, não pretendo comentar as músicas novas, já disponibilizadas no site da Trama Virtual. Prefiro fazê-lo com base no projeto finalizado e devidamente maturado. De qualquer forma ouça você mesmo as pré-produções e tire suas conclusões.

Sunday, October 01, 2006

Cala a boca, Brandon!!!
Brandon Flowers, vocalista da banda norte-americana The Killers, é um sujeito bonito (sem viadagem!). Tem um vocal singular e também é um ótimo compositor. Não por acaso, o disco de estréia dos caras (Hot Fuss, 2004) estourou hits como Mr. Brightside e Somebody Told me em escala mundial. Ok, mas como nem tudo são flowers (sacaram o trocadilho!!! ihhhaaaa), além de apresentar uma performance de palco considerada fraca pela crítica especializada, quando o rapaz resolve abrir a boca, seus companheiros tem muitos motivos para suar frio e até fazer “figa”.
De acordo com informações do site da MTV, os comentários de Brandon têm motivado uma barulhenta rixa com os caras do Fall Out Boy. Recentemente, ele chegou a declarar que o Fall Out Boy exerce uma influência negativa sobre os fãs porque a garotada acaba consumindo em larga escala tudo que a banda afirma ter gostado. “Isto é muito perigoso”, disse o cantor. É importante ressaltar que o Panic(!) at the Disco, talvez uma das maiores revelações do mercado musical em 2006, foi descoberta e produzida por Pete Wentz, baixista e vocalista da banda de Chicago.
Brincadeira?!?! Parece que não. Apesar de todas as tentativas de Pete de pôr esta rixa em panos quentes. Brandon Flowers não pára de colocar mais lenha na fogueira. Afirmando, inclusive, que havia “um ser dentro dele” que tinha uma imensa vontade de encher todos esses “emos” de porrada. Brandon, meu caro, muitos de nós já pensamos algo assim, mas tudo tem limite, né?
Sobrou farpas até para o Tom Yorke, que estava quieto no lugar dele, sem mexer com ninguém. Segundo o front man do Killers, Yorke está desperdiçando seu talento como compositor e deveria deixar de fazer discos experimentais, voltando a compor canções como “Creep”. Seu companheiro de banda, o baterista Ronnie Vannucci, até reclamou do excesso de atenção dado pela imprensa ao vocalista.
Deixando de lado as cabeçadas de Flowers, o disco novo do Killers será lançado no próximo dia 3 de outubro. A crítica norte-americana e inglesa tem dedicado especial atenção e muitos elogios ao segundo trabalho dos caras, por isso fique ligado em Sam's Town. O disco já tem até um clipe exibido pela MTV, o hit “When You Were Young”, gravado no México. Quem sabe com o lançamento do disco novo, o rapaz usa a boca mais pra cantar e menos pra falar besteira.