Sunday, April 29, 2007

ALEX KID MUSIC

Atualização de fim de semana é coisa rara. Ainda mais se tratando do Álcool & Prozac, cujo responsável tem mais coisa pra fazer (com todo respeito) do que passar o fim semana na frente do computador. Tem que ter realmente um bom motivo.

O "bom motivo" neste caso é uma nova banda que surge na capital do Estado do Espítiro Santo. Com o excêntrico nome de Alex Kid Music, o projeto já começa a mostrar seus resultados e gerar fortes expectativas. Comprove ouvindo a primeira música dos caras disponibilizada no MySpace. O Endereço é www.myspace.com/alexkidmusic

Trata-se do primeiro single da banda entitulado "Mal-dito". É uma pré-produção da faixa que estará no disco de estréia do Alex Kid. O disco está em fase de finalização, mas enquanto o público espera seu lançamento será presenteado com mais uma pré-produção ainda sem data para disponibilização na rede.

A dica é sempre ficar de olho. O frio começou a dar as caras em Vitória nesse fim de semana, mas esse inverno promete ser aquecido por muita coisa boa recém saída do forno. Muitas bandas estão em estúdio e se tudo sair conforme o esperado junho e julho serão meses de intensa divulgação e movimentação da cena independente capixaba.

Acompanhe o fotolog do Alex Kid Music para mais informações.
www.fotolog.net/alexkidmusic

Thursday, April 26, 2007

UM RÉzinho...POR FAVOR!!!


Kings of Leon. "Esquisitões", mas sem perder o peso característico do velho rock'n'roll.

Ouvir Kings of Leon sempre me leva a uma dimensão psico-musical um tanto quanto curiosa. Seus peculiares versos em uma nota só são uma verdadeira afronta a minha lógica “quadrissonante-ramoniana”. Para os que não sabem, fui criado musicalmente ao som das quatro notas sempre previsíveis que saiam da guitarra do Johnny Ramone. Durante muito tempo, música pra mim se resumia bem no polinômio ré + si menor + sól + lá = melodia. Quando o guitarrista e vocalista, Caleb Followill saca uma de suas intermináveis introduções em mi, minha mente logo me alerta: claro que logo virá um ré maior para fechar a harmonia básica da canção. Para o meu ledo engano, seguem-se inquietantes segundos de uma estática e monocromática nota só. Eu começo a pensar que realmente a música ficaria muito legal se, de repente, o rapaz resolvesse cair para um simples ré maior. Tão fácil, simples...elementar. Depois de quase um minuto sem trocar de nota, minha mente já grita alucinada “pelo amor de Deus...um ré...só um ré e eu juro que essa vai ser minha faixa preferida do disco”. Caleb me desafia. Ele sequer parece pensar em algo tão óbvio. Isso faz desse primeiro minuto de audição uma experiência um tanto quanto perturbadora, esquisita. Quando eu praticamente já tinha desistido, eis que me vem a nota salvadora. E é um RÉ MAIOR!!! Trata-se então de um momento de euforia, um momento “orgasmático”. Incrível, enfim conseguimos chegar na segunda nota. Algo parecido com alívio me toma por completo. A ponto de eu me esquecer completamente que tudo que ouvi foi um simples mi, seguido de ré maior. Qualquer aluno com três semanas de violão pode fazer isso. Mas eles acabam fazendo soar único. Não me pergunte como, ouça “Black Thumbnail” (musica 5 do novo disco da banda) e saberá do que estou falando.


Se para você “mi” é só uma sílaba e “ré” é a única marcha em que o automóvel anda pra trás, é melhor desconsiderar todo o parágrafo anterior. Simplificando: O Kings of Leon é uma banda que contraria todas as leis da física e nunca se comporta da forma esperada. Isso “obviamente torna o que é obvio incomum”. Quando mostrei a banda para minha namorada ela me disse que o som era “esquisito”. Tenho uma má notícia para ela. Em seu recém lançado álbum, “Because of the Times”, eles continuam “esquisitos”. É um bom adjetivo para uma banda que parece repudiar o comum.


Mas não é a única coisa que merece ser dita sobre o novo trabalho dos caras. O que surpreende dessa vez é o vigor. Do peso das guitarras aos riffs primais que preenchem o som. Isso serve para lembrar que, apesar de um pouco mais complicado que o de costume, o que sai das caixas de som do seu aparelho é rock. Rock feito com competência e sem frescura. Destaque para a bateria frenética de “McFearless”. O baixo é pontual e lidera grande parte dos versos do disco, dando o tom inquietante da faixa de abertura, a enxuta “Knocked Up”.


Bem verdade que nas últimas músicas o disco perde um pouco de pressão. Normal. É a hora dos irmãos Followill e banda mostrarem as várias nuances sonoras que existem entre um Mi e um Ré Maior. É a hora das baladas excêntricas “The Runner”, “Trunk” e “Arizona”, que fecham muito bem o álbum.


“Because of the Times” é um disco que vale muito a pena. Principalmente, porque nele o Kings of Leon brinca mais uma vez de reinventar o rock'n'roll, sem perder o que ele tem de melhor. Ouça a baixo algumas músicas do álbum.





Wednesday, April 25, 2007

BANDAS GÊMEAS...

Um sujeito acompanhado unicamente por seu violão folk resolve gravar um disco com algumas músicas autobiográficas. Até aí não tem nada demais. Acredito, inclusive, que muitas bandas que hoje conhecemos tenham começado exatamente dessa maneira. A partir disso, começam a aparecer algumas peculiaridades. A opção é por um projeto individual e autoral, com cerca de 10 músicas gravadas em um processo simples de voz e violão. Sonoridade pop e açucarada, com linhas melódicas de fazer partir o coração dos mais insensíveis. Apesar de ser um projeto de “um homem só”, a “banda” não leva o nome de seu compositor. Adivinhou, né? Claro que só pode ser o Dashboard Confessional. A banda surgida no ano de 2000, como um projeto paralelo de Chris Carrabba, na época a frente da banda norte-americana Further Seems Forever. Mas é melhor não ter tanta certeza assim.


Não tão distante do surgimento do Dashboard Confessional, mais precisamente no estado da Califórnia, aparece um outro projeto que promete confundir muito a cabeça dos fãs do “grupo” de Boca Ratón, Florida. Usando o nome de Secondhand Serenade, John Vesely lança, em 2005, um disco que segue a risca as características de seu predecessor.


São diversas as similaridades que aproximam Swiss Army Romance (2000) e Awake (2005), discos de estréia dos de Chris e John, respectivamente. Começando pelo visual de seus vocalistas (Topete espetado e incontáveis tatoos no braço) até o timbre da voz, que assusta de tão parecido. Não fosse pelas significativas mudanças do Dashboard nos últimos dois discos, ficaria realmente impossível distinguir um do outro.


John Vasely, apesar de vir de família de músicos e de uma longa história como baixista de bandas de rock, não tinha muita familiaridade com o violão. O primeiro encontro entre ele e o instrumento foi a pedido de sua esposa que queria que o moço a fizesse uma serenata. Funcionou tão bem que John afirma ter encontrado sua vocação e o disco de estréia “Awake” pode não soar nada original, mas tem qualidade. O projeto, lançado por um selo independente, já bate recordes de download na loja virtual do ITunes e sua página é uma das mais visitadas do MySpace. O mais engraçado é que o Dashboard não figura sequer entre as influências admitidas do Secondhand Serenade.


O som é totalmente “chupado” e nada original, mas dá pra matar as saudades do enxuto, cru e genial Swiss Army Romance. Em minha opinião, o disco mais bacana do DC. Ouça as duas bandas e confira sua similaridade praticamente surrealista.



Thursday, April 12, 2007

E o Clube Cetenário vai ficar pequeno...
Tratando-se do show do Udora, no dia 20 de abril, a frase só pode ser dita em tom de lamento.

Udora. Show no Chevrolet Hall, em 17 de março. Foto por Henrique Galtieri

Eu gostaria, sinceramente, de dedicar um post inteiro ao elogio da excelente iniciativa de trazer a banda mineira Udora para tocar em Vitória. Demorou. Não por falta de interesse do público capixaba e nem por má vontade da banda, todas as tentativas anteriores foram frustradas. Finalmente, temos um show dos caras agendado e confirmado para o próximo dia 20 de abril. É uma pena que nem tudo seja como o esperado, principalmente no que diz respeito à organização do espetáculo.

A começar pelo local escolhido. O Clube Centenário não apresenta a mínima estrutura para receber uma banda com a bagagem e o histórico do Udora. Arrisco-me a dizer que o local não tem estrutura para receber banda nenhuma. Além de uma péssima acústica para apresentações ao vivo, o clube não tem capacidade física para receber mais de duzentas pessoas com o mínimo de conforto necessário (Num lugar como o Centenário, se entende como "mínimo conforto" a remota possibilidade de ser encoxado ao menos por uma pessoa de cada vez).
Deixo claro que esta não é simplesmente uma crítica à produtora responsável pelo evento. Esta é mais uma crítica ferrenha a falta de estrutura de nosso Estado, que acarreta na ausência total de opções para a realização de eventos alternativos. Esta é também uma crítica ao mercado cultural e aos patrocinadores de nossa cidade que são incapazes de abrir os olhos para uma contundente realidade: os sinais de vida cultural em Vitória não podem aparecer esporadicamente, de micareta em micareta.

Talvez por essa razão um show tão importante contou com divulgação tão precária. Ou melhor, quase nenhuma divulgação. Não há nenhum tipo de informação sobre os pontos de venda de ingressos, para não dizer a ausência total de promoção do espetáculo. Não adianta também manter-se na superficialidade das críticas comuns aos responsáveis pelo evento. Seria muito fácil “tacar pedra” nessa galera, sem reconhecer que são tão poucos os que ainda tentam fazer algo pela cultura musical dessa cidade. Imagino as grandes dificuldades desse processo.

A BANDA

Além do Rock in Rio III, o Udora (ex-Diesel) tem uma passagem significativa pelo mercado norte-americano. A banda fez mais de 150 shows por todo o país, incluindo uma turnê com o ex-guitarrista do Alice in Chains, Jerry Cantrell. Trabalhou com produtores de amplo reconhecimento, como Matt Wallace (Maroon 5, Faith no More, Train), Gavin Mackillop (Toad the Wet Sprocket, Goo Goo Dolls), Bob Marlette( Black Sabbath , Seether, Ill Nino) e Thom Russo (System of a Down, Johnny Cash, Audioslave). “Liberty Square”, disco lançado durante esse processo de 5 anos nos Estados Unidos, conta com uma ótima produção e canções de qualidade.

Desde de janeiro, a banda está de volta ao Brasil, fazendo muitos shows (principalmente no eixo Minas-São Paulo). O grupo sofreu mudanças significativas em sua formação e conseqüentemente em sua sonoridade. Atualmente, prepara seu próximo disco, com faixas em português, “Goodbye Alô” e participa de turnês com bandas de verve mais popular, como seus conterrâneos do Skank.

Espero estar engando. Espero que, a despeito de todos esses problemas, a vinda dos mineiros seja um sucesso e abra as portas para muitas outras passagens do Udora por aqui. Que esta seja apenas o começo, ainda que não da forma esperada por todos os fãs do grupo. Só resta desejar mais "sorte" na próxima. Caso haja uma próxima vez.


Tuesday, April 03, 2007

NOVIDADES


Algum de vocês já se sentiu com aquela sensação de ter assumido mais responsabilidades do que poderia. Aquele desejo estranho de que o dia tivesse algo em torno de 36 horas, ou mesmo, pior que isso, a certeza de que se assim fosse ainda faltaria tempo para uma porção de coisas. Isso não é uma justificativa para a minha demora em atualizar o conteúdo do Álcool & Prozac. Acredito que as pessoas que acompanham o blog já devam estar bem acostumadas com o meu cronograma irregular. Eufemismos à parte, a verdade é que, se eu não tivesse mais nada para fazer, ainda assim não publicaria com mais regularidade do que o de costume.

O fato é que, mesmo entre suas atualizações, o Álcool y Prozac não pára. Estive pensando em uma nova utilidade do blog e acredito que isso vai agradar as pessoas que buscam o A&P para conhecer novas bandas e discos. Nada que venha escrito nessas linhas pode substituir a apreciação do som das bandas aqui mencionadas, e é por isso que começo a partir de hoje a disponibilizar links para downloads de discos citados nos textos. Os links ficarão na coluna esquerda da página junto com as capas dos discos. Espero que vocês gostem da idéia. Serão links do rapidshare e megaupload em que o usuário poderá baixar gratuitamente o trabalho dos artistas recomendados.

Mp3 e a música livre

O Mp3 (MPEG audio layer – 3) é um formato compacto de música para execução digital. A invenção deste formato é creditada ao Institut Integrierte Schaltungen (IIS), da Alemanha, juntamente com a Universidade de Erlangen e remota ao ano de 1987. A revolução consiste na forma com que o arquivo de música neste formato fica mais leve, mais fácil de ser compartilhado e armazenado. Esse resultado é obtido porque a conversão de WAV para Mp3 resulta na eliminação de todos os sinais sonoros inaudíveis aos humanos. Clique aqui e saiba mais sobre a história do Mp3

Não precisa nem dizer que o surgimento desta tecnologia causou/causa grande dor de cabeça aos chefões da industria fonográfica. Quem não se lembra da grande confusão enolvendo o Napster, há alguns anos atrás? O Napster foi o primeiro software de troca de música digital da web. Com o seu inevitável sucesso, vieram dezenas de processos, capitaneados inclusive pelo baterista do Metallica, Senhor Lars Ulrich. O software perdeu e acabou tendo que tirar do seu catálogo todas as canções protegidas por direitos autorais, ou seja, quase todas. Mas a vitória não resultou em muita coisa além da queda da popularidade do Metallica entre os fãs de todo o mundo, muito tempo e dinheiro perdido por parte das gravadoras e distribuidoras. Com a queda do Napster, surgiram outras centenas de programas de compartilhamento de arquivos. A ampliação contínua das possibilidades tecnológicas na internet também criou outras alternativas para quem curte música digital.

Apesar de polêmico, o Mp3 é uma realidade inquestionável. Mesmo muitos artistas têm utilizado o formato para divulgar seus trabalhos, principalmente no meio independente.

Pessoalmente acredito muito no potencial do Mp3 de revolucionar a música. Os principais interessados na venda de discos acusam a troca de arquivos desse tipo de pirataria. É até engraçado diante dos preços cobrados pelos discos. Em países como o Brasil, a maior parte da população não pode pagar por um disco nas lojas. Mas isso é discussão batida. Há algum tempo atrás, um artista só poderia viver dignamente se fosse “adotado” pelas grandes empresas do indústria fonográfica. Esse processo não raramente vinha acompanhado de inúmeras concessões artísticas em nome do potencial comercial das obras. Hoje o Mp3 se tornou uma forma eficaz de distribuição e promoção musical. Novas bandas surgem a todo instante na rede e conseguem certo prestígio no meio underground. Como no caso do Dead Fish, são as gravadoras que correm atrás dos músicos. A música ganha com isso. Um exemplo são os dois discos excelentes lançados pela Deckdisc. Ser independente hoje é uma opção, graças às facilidades da tecnologia digital.

Ainda não é uma maravilha, mas os ganhos do todo compensam as perdas de alguns. O que está em jogo não é o destino do disco. A magia de um trabalho completo, com encarte, produção gráfica, não morre. Recomendo a quem possa e queira que não deixe de comprar discos e prestigiar artistas que respeitem e admirem. A título de conhecimento e divulgação, os álbuns virtuais estão a disposição. Espero que vocês gostem e abro espaço para pedidos e sugestões. Valeu!

Tuesday, March 20, 2007

HOMENAGEM ATRASADA, MAS MERECIDA...


Andrea. Canto dos Malditos na Terra do Nunca


Neste último dia 8 de Março não pude deixar de pensar no papel importantíssimo das mulheres na música pop mundial. Acredito que seja mais que merecida uma homenagem do A&P a elas que, sem dúvida alguma, exercem uma influência central na maior parte das coisas boas produzidas até hoje. As mulheres não só serviram de inspiração para inúmeras belas canções como, desde o princípio, souberam empunhar instrumentos e fizeram história nos palcos de todo o mundo. A despeito de todo o preconceito que ainda teima em existir, elas marcaram o cenário musical ora pela sensibilidade e ternura características, ora pela agressividade e intensidade de suas obras.

Para início de conversa, deixo clara aqui a minha total parcialidade ao tratar do tema. Refiro-me neste texto a duas paixões que me acompanham a tanto tempo quanto minhas vagas memórias já não conseguem remontar. Duas paixões que muitas vezes se completam e até se confundem. Tenho minhas predileções quanto à música e, de certo, as tenho também quanto às mulheres.

Joan Jett não poderia ter sido mais enfática. Elas amam o rock’n’roll. E quanto a nós. Bem, nós as amamos. Desde as musas do Jazz das décadas de 50 e 60 – Billie Holiday, Nina Simone, etc. – até Rita Lee e Brody Dale (The Distillers), acho que amei todas elas, com intensidades diferentes, em momentos diferentes.

Aos 16 anos, por exemplo, o som do quarteto vegan de São Paulo, Dominatrix, fazia muito a minha cabeça. Letras engajadas, guitarras sujas e pesadas, uma bateria barulhenta. Quatro garotas em cima do palco, gritando alto, para marmanjo nenhum botar defeito. Se por um lado me arrebatava esse espírito independente e forte, hoje aprendi a não negligenciar a beleza leve e natureza doce de uma Norah Jones, Leslie Feist, entre tantas outras que ainda fazem meu coração bater muito mais forte.

Meus amigos, as mulheres são bem diferentes umas das outras. Somente um grande tolo para dizer que todas são iguais. Eu, pessoalmente, aprecio a personalidade feminina com a mesma diversidade com que aprecio minhas playlists.

Por falar em Norah Jones, na semana passada, o seu álbum mais recente “Not Too Late” ocupava o primeiro lugar da Billboard. O disco foi apontado pela crítica como o mais diversificado e ousado da cantora. Este é o seu terceiro disco e já na sua semana de estréia atingiu a marca de mais de 400 mil cópias vendidas nos Estados Unidos.

No Brasil, cabe destacar duas bandas novas e muito legais capitaneadas por “frontwomans”. De Salvador, O Canto dos Malditos na Terra do Nunca para mim é referência. Além dos vocais bem peculiares e melódicos, Andrea Martins é a letrista e principal compositora da banda. A presença da banda está garantida no Abril pro Rock 2007, festival que reune a nata do rock nacional na cidade de Recife. Andrea e companhia se apresentam no domingo, dia 15 de abril, no palco dois.

Também revelada no palco do programa Bandas Novas – extinto da grade da MTV Brasil, enquanto a emissora disperdiça espaço com enlatados norte-americanos do tipo “Made” - o Luxúria é outra banda que tem na sua vocalista Marjorie Storch um charme especial. A banda está na estrada, fazendo shows memoráveis e divulgando seu primeiro trabalho.

Para finalizar, deixo com vocês uma dica muito legal de outra banda nova com vocais femininos, o Night Driving in Small Towns. Tenho ouvido muito esse som. Acessem http://www2.blogger.com/www.myspace.com/nightdrivinginsmalltowns e divirtam-se. A banda foi eleita em dezembro uma das vinte melhores bandas independentes no MySpace, com a canção Close Encounters (Muito boa!!!). Aproveito aqui para deixar meus mais sinceros agradecimentos as três gerações de mulheres que fazem da minha vida muito mais feliz: Maria, Cristina e Marcele (vó, madre e amor, respectivamente), irmãs (Lê e Didi) e amigas (especialmente Tatá, Letícia e Iani). Amo vcs!

Thursday, March 08, 2007

Nelson Gonçalves e a memória analógica




Nos últimos tempos, quase sem qualquer motivo, me veio a lembrança deste disco especial. Um dos discos do acervo de bolachões da minha querida vovó. Lembro que eu adorava desorganizar aquela coleção. Olhava suas capas sem, contudo, entender a mágica que se escondia dentro daqueles objetos achatados que a mim pareciam mais quadros ou fotografias do que qualquer outra coisa. Talvez eu não estivesse tão enganado. Aqueles vinís eram sim como fotografias, retratos de um tempo, repletos de subjetividade e das mais diferentes colorações. Tempos depois eu viria a descobrir a principal dimensão daquelas obras, o som. Mas naquele momento eram as capas que me chamavam bastante atenção. Lembro de ficar petrificado diante da capa de um vinil do Iron Maiden. Não me lembro exatamente que álbum, mas, como sempre, a imagem do Eddie ilustrava de maneira horrenda e demoníaca o som do quinteto inglês. Aquilo povoou meus pesadelos durante algum tempo. Mesmo assim, eu gostava de admirá-la. Venho de família italiana e fervorosamente católica, não sabia por que “diabos” aquela atividade contemplativa me soava mais como uma suave contravenção. Algo que eu não deveria mas (ou talvez, por isso mesmo) adorava fazer. Sem saber, eu aprendia como a arte poderia ser de certa forma subversiva e me apaixonava por esse caracter insurgente que marca minhas predileções artísticas até hoje. Bem, cabe aqui também salientar que, ao contrário do que possa ficar subentendido, minha doce vovó nunca ouviu Iron Maiden. Aquele disco foi uma aquisição do meu tio mais novo que acabara junto aos demais artigos musicais da casa.

Lembro também que foi a partir deste acervo que descobri uma bandinha pop de liverpool chamada Beatles, conhecem??? Pois é, gostava muito de apreciar a capa do “Beatles for Sale”, de 1964 (até hoje um dos meus prediletos). Aos 12 anos, eu estaria pegando aquele vinil emprestado com a minha vó Bia e dando início a minha paixão pela música desses quatro ingleses estranhos, de cabelo lambido.

Leitores, me perdoem os rodeios. Falar da coleção de discos da minha vó me agrada bastante. Poderia escrever páginas e páginas em meio a tais recordações. Mas é a respeito de um em especial que eu gostaria de escrever hoje. Junto com o LP dos Beatles, minha vó me faria mais tarde o valioso empréstimo de um álbum de Nelson Gonçalves, entitulado “O Tango na voz de Nelson Gonçalves”. Bem verdade que, quando criança, a capa deste disco (apesar de extraordinária!!) não me chamara muita atenção. Um homem com vestimentas típicas da década de 1950 e um pomposo chapéu observava uma dama abraçada a outro cavalheiro com indumentária similar. Não sei porque essa capa não despertou meu interesse quando muleque, como também não sei o porquê de ter apanhado aquele LP emprestado. Com toda sinceridade, aquilo me parecia antiquado, ultrapassado, o que é uma impressão primária natural de uma obra da segunda metade da década 50. Por ironia do destino, aquilo foi parar no meu toca discos. Acho que foi indicação da minha querida vovó que era realmente apaixonada por aquele som.

Um mundo de coisas me separava da prensagem daquele LP. Guerras haviam começado e acabado, ídolos foram assassinatos, o movimento hippie, o punk, o muro de Berlim e até o grunge de Seattle, tudo aquilo entre nós. Entre o fim da década de 90, que era onde eu estava, e o ano de 1956, ano em que (se não me engano) o disco foi lançado, dez anos antes de minha mãe nascer. Um amor impossível, muitos pensariam. Por ironia do destino aquele LP foi parar nas minhas mãos e como um golpe fatal deste mesmo destino eu me apaixonei. Senti saudades. Tentei voltar no tempo. Até perceber que seria inútil.

A verdade era triste, eu nunca faria parte da boemia ébria que me abatia ao ouvir canções como “Palhaço”, “Corrientes 348” e “Vermelho 27”. Eu nunca andaria por aquelas ruas da capa do disco, não beijaria a garota do vestido preto. Por algum motivo, eu nascera no tempo errado. Passei muito tempo ressentido por ter nascido no tempo errado. A sensação de nostalgia piorava quando eu ligava a TV e via uma loura e uma morena rebolando seminuas ao som de algo um pouco parecido com música. Nada contra louras e morenas seminuas, muito pelo contrário. Mas faltava alguma coisa. Algo ficou perdido nesse processo de “evolução” da música pop (ps. Para os menos perspicazes, estou sendo irônico).

Com o tempo eu descobri que não precisava ligar a TV ou o rádio para ouvir música. Bem na verdade eu descobri que não deveria ligá-los esperando ouvir música boa (Permitam-me aqui, meus bons leitores, abrir uma excessão para a rádio Universitária FM - 104,7 - de Vitória, ES. Caso contrário, acabo levando esporro da patroa...rs). Outros atores surgiram na minha vida. Mas a paixão pelos discos da minha vó me acompanha. Eu aprendi que não dá pra voltar no tempo, mas, por mais amareladas que estejam as fotografias, elas sempre terão a capacidade de despertar nossas emoções. Talvez isso até melhore com o passar das décadas. Os discos que eu olhava como se fossem fotografias. Minha vó ainda tem o bolachão do Nelson, eu é que não tenho mais vitrola. Muitos me dizem que não existe mais música nesses tempos de MP3 players e parafernália digital. Eu não posso sentir raiva do MP3. Se não fosse por ele eu teria que me acostumar com a programação limitada das rádios. Mas, de fato, a mágica de colocar um disco de vinil em um aparelho toca discos faz um pouco de falta. Ainda estou procurando este álbum do Nelson Gonçalves em formato digital. Não é a mesma coisa, mas já é alguma coisa. Qualquer informação sobre como posso encontrá-lo me deixará imensamente grato.

Tuesday, December 26, 2006


A edição norte-americana da revista Rolling Stone lançou em seu site (www.rollingstone.com), no dia 22 de dezembro, uma lista (pretensiosamente entitulada como "definitiva") das melhores bandas no MySpace. Seguindo a forte tendência interativa do site da revista, a Rolling Stone fez uma pesquisa com os internautas, a partir da qual foram selecionadas cerca de 1.700 bandas. Após a seleção popular, a equipe da revista entrou em ação. O material disponibilizado por todas elas foi avaliado, o que certamente exigiu muito trabalho e paciência dos responsáveis. Desse total, foram selecionadas as 25 consideradas mais interessantes e promissoras.

Será preciso dizer que qualquer seleção deste tipo será necessariamente questionável? Tratando-se de projetos novos e, de certa forma, desconhecidos do grande mercado, as dificuldades de consenso são ainda maiores. No entanto, é também inquestionável a capacidade de um veículo como a Rolling Stone para antecipar tendências e até criar cenários culturais. Quem sabe, ao apreciar esta lista de novos nomes, não estaremos contemplando futuros destaques do mainstream. Bem, podemos ter uma certeza, a revista tem moral para fazer suas apostas e algumas delas são bem razoáveis, eu diria.

A despeito de toda a discussão a respeito da legitimidade desta lista, a sua importância é também devida ao fato de um dos maiores e mais tradicionais veículos de comunicação cultural do mundo reconhecer e dar espaço a bandas independentes que usam o cyberspaço para divulgar seus trabalhos. O MySpace é um serviço destinado à interação social na rede pertencente ao grande conglomerado de mídia News Corporation, de Rupert Murdoch (também dono da Fox, DirecTV, etc.). O Espaço nunca se destinou em particular à divulgação de grupos musicais. No entanto, essa prática é adotada hoje com grande êxito por bandas independentes de todo o mundo.

FALTOU DISTORÇÃO

É bastante complicado avaliar o potêncial de um grupo com base em apenas uma canção. De qualquer maneira, essa é a forma de divulgação utilizada. Eu não pude resistir e fiz um "passeio" pelo material disponibilizado das 25 bandas selecionadas. A triste constatação, apesar do próprio nome da revista, é que faltou rock. Isso mesmo! Na lista, ficou bem clara a opção editorial por baladas pop açucaradas, alguma coisa eletrônica e (para o meu espanto) muito espaço para o experimentalismo e esquisitices vanguardistas. Uma pena o fato de a maioria delas ser insuportavelmente chatas. A maioria das bandas fica entre o pop retrô e um rock meio vanguardista com cara de intelectual.

Na minha opinião o "Troféu Chatisse" fica para o Los Super Elegantes. Uma banda que lista entre suas influências de Tim Maia à Metallica, mas no fundo só consegue ser mesmo é esquisita. Ensaia um pop dançante que tenta parecer despretencioso mas na verdade posa de pós-moderno, vanguardista. Lixo conceitual. Coisa para intelectual metido que gosta de dar uma de "oldfashioned".

Gostaria de destacar positivamente os ótimos vocais femininos de bandas como An Pierlé & White Velvet (que lembra um pouco Cold Play, acho que por causa dos pianos marcantes) e Night Driving in Small Towns (a única que ouvi repetidas vezes). Destaque também para o Metal Insdustrial misturado com música eletrônica da banda alemã B.O.S.C.H. Além do nome bem apropriado, o grupo tem muita qualidade e uma estética bem nova. Vale a pena dar uma conferida.

Houve também espaço para o R&B e Hip Hop com pitadas de esquisitice das bandas The Beauty e Bedtime for Toys.

Nada do que eu diga pode substituir a apreciação das bandas escolhidas. Existe um motivo para elas estarem lá, mesmo as ruins. Acesse http://www.rollingstone.com/rockdaily/index.php/2006/12/22/rolling-stone-declares-the-25-best-bands-on-myspace/ para ver a lista e ouvir as canções. Quem lê em inglês pode conferir a opinião de várias pessoas sobre as bandas selecionadas, que também é muito legal.

Thursday, November 23, 2006

A moqueca esquecida no fundo da geladeira


O Espírito Santo ainda é celeiro de excelentes grupos e movimentos musicais. Muitas coisas que se cria por aqui apresentam qualidade estética e conceitual, muitas vezes, acima dos padrões do resto do país. Uma viagem musical da capital ao interior do nosso Estado evidencia o fato de que, apesar de todas as dificuldades, a produção artística deste segmento nunca parou. Um grande destaque para o cenário “underground”, em que as próprias bandas organizam eventos a baixo custo e sem qualquer retorno financeiro.

Vale o questionamento: o que não é “underground” no Espírito Santo atualmente? Pesquisas veiculadas pelo Jornal A Gazeta mostram que grande parte dos capixabas não tem nenhum conhecimento a respeito dos grupos musicais daqui. Os eventos apresentaram nos últimos tempos uma mais que sensível baixa. Isso para não mencionar a venda de discos. A musica capixaba hoje é essencialmente subterrânea, desconhecida das massas, ignorada em seu próprio território.

O que chama bastante atenção é que, há aproximadamente três anos atrás, quem olhava este mesmo cenário via uma realidade bastante diferente. Em meados de 2002, a música capixaba apresentava um salto quantitativo para lá de significativo. A mistura de rock, reggae e congo das bandas Manimal e Casaca ganhava espaço nas ruas e a preferência dos ouvintes nas rádios de todo Estado. Vale mencionar também o “boom” das bandas de reggae como Macucos e Rastaclone. Na época, alguns fatores importantes já sinalizavam a natureza frágil desta prosperidade e condicionaram, de certa forma, e sua decadência. A começar pelas deficiências conceituais advindas do próprio segmento. Os artistas, agências de eventos e a própria mídia local se prenderam a uma fórmula que, a curto prazo, se mostrou desgastada. O conceito de “música capixaba” foi trabalhado de forma muito localizada, tradicionalista e fechada. Não houve em si a preocupação de expandir a contribuição que a nossa cultura poderia agregar na música nacional como um todo. As bandas que utilizavam elementos folclóricos do Espírito Santo se esforçaram pouco em interagir com o restante do país. Ao contrário de outras tendências musicais regionalistas como o movimento Manguebeat de recife, ou mesmo a música grunge da costa oeste estadunidense, a música capixaba não conseguiu exportar sua influência para o resto do mundo e se tornou escrava de um modismo localizado e efêmero.

É certo que os protagonistas da cena musical capixaba na época apostavam em um certa auto-suficiência do mercado local. Bem, outros fatores contribuíram para que esta fosse uma opção irreversivelmente frustrada. Sem dúvida, qualquer leitura deste tipo corre o risco de parecer tirânica, mas me atreverei, com base na minha humilde interpretação, a enumerar dois destes principais fatores.

Um bom exemplo de auto-suficiência de mercado musical no Brasil é a região sul. Ainda que muitos artistas migrem para o eixo Rio-São Paulo com o objetivo de conquistar um sucesso mais amplo no território nacional, quem já foi a cidades como Curitiba e Porto Alegre tem noção da força de sua cena local. As diferenças entre o Sul e o resto do país são discussão batida, não pretendo me alongar nestas disparidades sociais e econômicas de nosso Brasil. Gostaria de chamar a atenção do leitor, especificamente, para a questão da infra-estrutura. A capital do nosso Estado, neste quesito, deixa evidente a precariedade do todo. Em Vitória, são cada dia mais escassos os locais para realização de eventos. Os estúdios de gravação com certo nível profissional são economicamente inacessíveis a grande parte da população e os incentivos são raros e mal-estruturados. Um exemplo é a Lei Rubem Braga de incentivo à produção artística no Estado. O poder público não consegue sequer padronizar os quesitos para julgar os projetos contemplados, quanto mais fiscalizar a execução e o destino da verba pública empregada nestas obras.

Do outro lado da cadeia produtiva está o público consumidor capixaba. No geral, este público é carente de informação e, muitas vezes, a questão da qualidade musical é relevada a segundo plano. Eventos como carnavais fora de época, shows com os mesmos artistas e com as mesmas canções executadas exaustivamente pela mídia massificante gozam de amplo prestígio de público. Não pretendo aqui julgar qualquer gênero ou, de maneira preconceituosa, desmerecer a diversão desta moçada. Mas o fato é que, na maior parte das vezes o público leva outras coisas em consideração na hora de escolher seu programa de fim de semana. O capixaba quer saber “onde está o rock?”, onde tem mais cerveja, pegação e menos “gente feia”...porque “gente feia ninguém merece”, não é?

Enquanto isso, nós assistimos uma verdadeira debandada de artistas capixabas para os grandes centros produtores das tendências culturais do Brasil. Agente torce para que o Dead Fish venha a Vitória no fim do ano e esquece que, por mais de dez anos, os caras tocaram em lugares apertados e precários, a dez reais a entrada, bem perto de nossas residências. Pessoalmente espero que algo um dia mude realmente. De quem isso depende? Podemos começar por nós mesmos. Vá ao shows. Conheça as bandas. Se gostar e quiser, compre os discos. A produção é rica e ininterrupta. Em outras palavras: Saia de casa, tem muita coisa acontecendo perto de você.

Friday, November 17, 2006

BOTINADA!! - Revirando a Hitória do Movimento Punk no Brasil

Clique aqui para assistir o trailer do documentário no YouTube

Reunir dezenas de depoimentos, gravações e registros que documentam as origens do movimento Punk no Brasil não parece ser uma tarefa fácil. A julgar pela pouca visibilidade que este tipo de mobilização cultural encontra na mídia tradicional até hoje, dá para imaginar a situação em meados da década de 1970, em pleno período mais agressivo da ditadura militar. O produtor e diretor Gastão Moreira abraçou o desafio de condensar os primeiros anos desta história em cerca de 110 minutos e revirar o baú empoeirado de arquivos do Punk nacional entre os anos de 1976 e 1984. Com o título de“Botinada! - As Origens do Punk no Brasil”, O trabalho foi lançado em setembro deste ano. Trata-se de um estudo de quatro anos, 77 entrevistas com personalidades influentes do movimento na época e muitos arquivos raros, inclusive alguns inéditos.

O ponto central do documentário é a cena paulistana da segunda metade dos anos 1970. Cenário efervescente de revolta contra a repressão e o moralismo da época. A exemplo de Nova York e Londres no início da mesma década, foram criadas em São Paulo as condições essenciais para que a juventude se rebelasse e propusesse os alicerces da cultura punk brazuca. Apesar da opção por esta perspectiva paulistana, outras regiões do país também foram retratadas, porém, de maneira mais superficial. Teria sido nas regiões do ABC e de São Paulo capital que o punk tivera mais notoriedade, ganhando espaço no cotidiano familiar e nos veículos de comunicação da grande mídia. Sempre a partir de uma abordagem exagerada e depreciativa, como mostra a pesquisa do diretor.

O DVD traz registros audiovisuais das bandas, personalidades e eventos mais marcantes da cultura punk brasileira, nesses seus trinta anos de história. De acordo com Gastão Moreira, em entrevista para o site Auto-falante, encontrar os “velhos punks” foi como uma gincana repleta de pistas falsas e a coleta de fotos e jornais não foi menos dramática. Grupos como Olho Seco, Replicantes, Inocentes, Garotos Podres e Cólera aparecem em cenas inéditas e personalidades históricas, como Clemente (Inocentes) e Kid Vinil, dão o tom do discurso, sempre seco e contundente. Um dos pontos chave do documentário é a realização do Festival “Começo do Fim do Mundo” em 1982, tido como um dos marcos do movimento no Brasil.

Gastão Moreira foi VJ da Music Television Brasil e passou anos a frente de programas que cediam amplo espaço à cultura alternativa underground e independente, com participação constante de bandas de Punk Rock. Entre eles teve destaque o “Musicaos” da TV Cultura que durou cerca de três anos, em um total de 143 programas. Segundo o próprio diretor e produtor, o movimento punk teve grande importância em sua vida. A partir do lema “Do it Yourself”, Gastão afirma ter aprendido com com o gênero que poderia aprender a tocar, ter uma banda e até produzir um documentário. Em entrevista ao site mineiro Alto-Falante, o diretor estreante afirma que não pára por aqui e já tem planos de fazer um outro vídeo, tendo como foco o Metal.

Saturday, October 21, 2006

O Luto de um homem que só usava preto...


"I pray that God will give me courage
To carry on 'til we meet again
It's hard to know she's gone forever
They're carrying her home on the evening train"
trecho de On the Evening Train, faixa 6 de American V

“American V – A Hundred Highways” é o título do disco póstumo de Johnny Cash. A produção é assinada por Rick Rubin, o sujeito por trás de vários clássicos da história do rock e um dos produtores mais procurados do momento (atualmente, estão na fila Metallica, U2 e Velvet Revolver). American V não é necessariamente um lançamento (o disco chegou às lojas em julho de 2006) mas é, sem dúvida alguma, item essencial para qualquer interessado na história deste ícone da musica mundial. Ainda que composto majoritariamente por covers de compositores tradicionais norte-americanos, o registro musical não poderia ser mais auto-biográfico. As gravações são de 2003 e compreendem o período entre a morte de sua esposa June Carter Cash e o falecimento do próprio Johnny, 4 meses depois. Em todas as 12 faixas (entre elas, duas autorais e inéditas) a voz de Cash soa mais frágil e renitente, demonstrando toda intensidade da dor de sua perda, neste que foi considerado pela crítica o mais desolado de seus trabalhos.
O conteúdo emocional do quinto volume da série “American” é inquestionável. Mais do que prever sua morte, Johnny a desejava de alguma forma. Em parte por ter perdido seu motivo para viver, em parte por acreditar que a morte seria o caminho de volta para June. Isto fica claro a partir das canções selecionadas. Na música de abertura “Help Me”, o cantor pede a ajuda e coragem para caminhar “mais esta milha”, a “última milha”, a transposição da barreira entre a vida e a morte.
Quem assistiu a biografia cinematográfica de Cash, lançada no ano passado com o título de “Johnny and June”, pode ter uma idéia da importância da esposa na vida do compositor. June é um exemplo de como alguém pode salvar a vida de um homem de todas as maneiras possíveis. No auge de seu pesadelo com as drogas, entre prisões e internações, ela deu-lhe um bom motivo para viver, e após sua despedida em 2003, um bom motivo para morrer. Na minha opinião, eis uma das histórias de amor mais bonitas do século. História esta, coroada com várias canções e agora este disco póstumo, com potencial para deixar qualquer marmanjo com lágrimas nos olhos (isso não é nenhum tipo de confissão).
Johnny Cash monstra que, a despeito de sua voz já melancólica e frágil, prejudicada por sua doença e morte iminente, sua genialidade e sensibilidade permaneceu intacta até seus últimos suspiros. Para além de qualquer técnica ou teoria, o conceito de “American V: A Hundred Highways” está no coração deste intérprete e compositor. Em sua última composição, meses antes de morrer, Cash pede que coloquem seu caixão no “trem 309” e assim ele parte com destino certo.
De acordo com o produtor Rick Rubin, ainda existe uma quantidade considerável de gravações que darão origem a um segundo disco póstumo de Johnny. Segundo Rubin, o disco será lançado em 2007. Preparem-se para o “American IV”, o homem de preto ainda tem algo a dizer.

Thursday, October 12, 2006

Udora, Diesel e "A Volta dos que não Foram"



"A volta dos que não foram" será o nome do novo disco em protuguês. De acordo com o vocalista Gustavo Drumont, a banda não deverá mudar de nome.

Reviravoltas e mudanças drásticas já não são novidade para a banda mineira Udora (ex-Diesel). Por fim, a ordem dos últimos acontecimentos na história do grupo culminou com o retorno deles ao Brasil. No dia 28 de Setembro, o frontman Gustavo Drummont desembarcou em Belo Horizonte trazendo à tira colo os fragmentos de dois projetos distintos. Para a banda, 12 novas canções (todas em português!) que darão o tom aos novos caminhos a ser trilhados pelo coletivo. Outras 18 canções já finalizadas integrarão um projeto solo do vocalista. Segundo o próprio Gustavo, o trabalho solo terá um estilo mais folk. O próprio autor o compara ao som da cantora canadense Leslie Feist e do estadunidense Ryan Adams.

Conforme divulgado pelo cantor/compositor/guitarrista/líder e porta-voz na comunidade da banda no Orkut, os integrantes remanescentes já estiveram reunidos para discutir o futuro do Udora. Após o encontro, TC decidiu abandonar o grupo e o Guitarrista Leo Marques continua. Se juntam a eles os músicos mineiros Daniel Debarry e PH (baixo e bateria, respectivamente).

Os fãs da banda devem estar acostumados com esse tipo de mudança aparentemente repentina. Após ganhar a Escalada do Rock e tocar no palco mundo do Rock in Rio, em 2001, o ainda intitulado “Diesel” demonstrava sérias intenções de trocar as terras tupiniquins pelos ares do norte. Na ocasião, em entrevista ao jornalista Thiago Cardim da America On Line, Drummont teria mencionado o interesse em seguir os passos do Sepultura e se aventurar mundo a fora, em busca de reconhecimento internacional. Quem parece ter levado essa conversa bem a sério é o ex-baterista, Jean Dolabella, que atualmente excursiona com a banda de Andreas, Derek e Paulo. Eles passaram pelo Espírito Santo no mês passado.

Após morar durante meses dentro de uma van, mudar completamente de som, roupa e corte de cabelo...Após quase quatro anos em Los Angeles (CA), um contrato frustado com a J Records e uma série de shows importantes, entre eles uma turnê com o mito grunge Jerry Cantrell (ex-Alice in Chains)...eles estão de volta. Quem viu os rapazes saírem daqui em 2002 poderá não reconhece-los, mas o que fica claro, mesmo diante de tantos obstáculos, é sua criatividade e determinação para recomeçar do zero, formulando um novo conceito e, desta vez, com um novo idioma. Seu talento e capacidade são inquestionáveis, coisa que os dois álbuns lançados até agora podem comprovar. O que nos resta é torcer para que os caras façam as escolhas corretas e obtenham o reconhecimento esperado para viver do que gostam e sabem fazer.
Cara leitor, eu poderia desperdiçar mais alguns minutos do seu precioso dia e de quebra deixar este post tão extenso a ponto de assustar os olhos mais cansados. De qualquer forma, não pretendo comentar as músicas novas, já disponibilizadas no site da Trama Virtual. Prefiro fazê-lo com base no projeto finalizado e devidamente maturado. De qualquer forma ouça você mesmo as pré-produções e tire suas conclusões.

Thursday, October 05, 2006

Fogo na Babilônia!!!


Avenged Sevenfold. Revelação em 2006 com o clipe "Bat Country"

Vai aí uma dica. Este clipe da banda californiana Avenged Sevenfold marca a sua estréia sob os holofotes do mainstream norte-americano. Premiado na categoria revelação do VMA deste ano, a estética deste video-clipe fecha completamente com o conceito fundamental de seu segundo disco “City of Evil”, lançado pela Warner.
A “Cidade do Mal” é um espaço menos físico que psicológico e surpreende pela ausência de amor, de bons sentimentos. Povoada por demônios e marcada pela banalização da sexualidade, pelos jogos, vícios e pela diversão barata e vazia. City of Evil é um pedaço de inferno na terra e trás a tona uma visão de um mundo superficial e perdido, profanado pelas paixões e vícios humanos.
A banda, que lista entre suas influências clássicos como Iron Maiden, Metallica, Guns'n'Roses, Pantera e Bad Religion, mostra em “Bat Country” todo o vigor e o peso do bom e velho rock'n'roll com uma essência para lá de emblemática em sua forma e conteúdo. A idéia contida no vídeo pode até ser, de certa forma, um grande clichê do rock, afinal, os morcegos já eram o prato predileto de Ozzy Osborne antes mesmo de M. Shadows e sua turma pensarem em pegar nas guitarras. Mas essa idéia clássica é trabalhada de uma maneira jovial e inovadora. Dá realmente para ter esperança de que o rock pode ser mais heterossexual, mesmo nessa época de franjas, lápis de olho e delineador.

Sunday, October 01, 2006

Cala a boca, Brandon!!!
Brandon Flowers, vocalista da banda norte-americana The Killers, é um sujeito bonito (sem viadagem!). Tem um vocal singular e também é um ótimo compositor. Não por acaso, o disco de estréia dos caras (Hot Fuss, 2004) estourou hits como Mr. Brightside e Somebody Told me em escala mundial. Ok, mas como nem tudo são flowers (sacaram o trocadilho!!! ihhhaaaa), além de apresentar uma performance de palco considerada fraca pela crítica especializada, quando o rapaz resolve abrir a boca, seus companheiros tem muitos motivos para suar frio e até fazer “figa”.
De acordo com informações do site da MTV, os comentários de Brandon têm motivado uma barulhenta rixa com os caras do Fall Out Boy. Recentemente, ele chegou a declarar que o Fall Out Boy exerce uma influência negativa sobre os fãs porque a garotada acaba consumindo em larga escala tudo que a banda afirma ter gostado. “Isto é muito perigoso”, disse o cantor. É importante ressaltar que o Panic(!) at the Disco, talvez uma das maiores revelações do mercado musical em 2006, foi descoberta e produzida por Pete Wentz, baixista e vocalista da banda de Chicago.
Brincadeira?!?! Parece que não. Apesar de todas as tentativas de Pete de pôr esta rixa em panos quentes. Brandon Flowers não pára de colocar mais lenha na fogueira. Afirmando, inclusive, que havia “um ser dentro dele” que tinha uma imensa vontade de encher todos esses “emos” de porrada. Brandon, meu caro, muitos de nós já pensamos algo assim, mas tudo tem limite, né?
Sobrou farpas até para o Tom Yorke, que estava quieto no lugar dele, sem mexer com ninguém. Segundo o front man do Killers, Yorke está desperdiçando seu talento como compositor e deveria deixar de fazer discos experimentais, voltando a compor canções como “Creep”. Seu companheiro de banda, o baterista Ronnie Vannucci, até reclamou do excesso de atenção dado pela imprensa ao vocalista.
Deixando de lado as cabeçadas de Flowers, o disco novo do Killers será lançado no próximo dia 3 de outubro. A crítica norte-americana e inglesa tem dedicado especial atenção e muitos elogios ao segundo trabalho dos caras, por isso fique ligado em Sam's Town. O disco já tem até um clipe exibido pela MTV, o hit “When You Were Young”, gravado no México. Quem sabe com o lançamento do disco novo, o rapaz usa a boca mais pra cantar e menos pra falar besteira.

Wednesday, December 21, 2005

Jhonny Rotten, Vocalista do Sex Pistols
The London Calling
Uma breve narrativa a respeito das raízes do movimento Punk

A década de 70 foi a era das desilusões. O mundo sacudia-se em uma série de mudanças sociais, técnicas e culturais. As tentativas frustradas de teorização dos fenômenos de tranformação que se estendem até a contemporâneidade eram razas e incipientes. Se por um lado a sociedade ingressava em uma nova realidade digital e mundializada, sem contudo ter uma mínima noção do que os aguardava para além do muro de Berlim; por outro, as crises mundiais rompiam com o clima de properidade do pós-guerra, desmascarando a cínica ilusão de paz e comunhão em ambos os blocos que disputavam a hegemonia universal.

À época, O movimento hippie e a música progressiva já davam claros sinais de esgotamento em seu papel de contra-cultura. O grito de “paz e amor” ficara abafado diante da constante militarização das nações. O movimento de certa forma se rendeu ao fanatismo ocultista das inúmeras seitas espiritualistas que, a exemplo de Mr. Manson, exederam todos os limites do bom senso. Surgiam os yuppies com seus carros conversíveis, ações na bolsa de valores, ensaiando os primeiros passos de uma música eletrônica, digitalizada e sem qualquer carga ideológica. O jovem se sentia abandonado por seu Estado (Após o regresso do Vietnã, muitos jovens norte-americanos foram deixados a mígua pelo Governo conservador), pressionado pelos grupos tecnocratas que ditavam as novas regras do mercado de trabalho. As famílias se desestruturavam, mergulhadas em um universo paralelo de falso moralismo e hipocrisia.

Na Inglaterra do fim de 1970, a situação era insustentável. A escória – vagabundos de todo tipo, homossexuais, prostitutas, excluídos da “terceira revolução industrial” – se acumulavam em guetos sujos, sem perspectivas. Eles precisavam de uma outra opção, um novo movimento cultural que desse conta de toda essa dinamite pueril que se acumulava nos subúrbios de Londres. Surgia assim o punk, berrando em alto e com acopanhamento de guitarras mal tocadas e distorcidas o no future a que estava exposta essa nova geração contra-cultural. Roupas de couro e alfinetes perfurando corpos faziam alusão ao sadomasoquismo e às condutas sexuais fortemente reprimidas pela sociedade patriarcal inglesa. A erupção desse movimento fazia coro contra uma esquerda inglesa fracassada e contra a direita conservadora, era a anarquia nas ruas agredindo e ferindo à sua maneira uma sociedade opressiva.

Surgiram nessa época bandas épicas do punk mundial como Ramones e Blondie, nos EUA e The Clash e Sex Pistols, na Inglaterra. A última “montada” por Malcolm McLaren para promover a loja de sua mulher, Vivienne Westwood. A SEX – loja de Vivienne – tornou-se o maior símbolo do vestuário punk, bem como da mercantilização do estilo que, como podemos perceber, já surgiu com sua própria “forma-mercadoria”.

Acho que a principal questão a ser abordada agora é o papel do punk rock no mundo atual. O movimento punk foi válido por décadas, como exposto acima, para dar vazão à expressividade de um tipo alternativo de público. Mas hoje, será que faz sentido atribuir ao que atualmente se entitula “punk” o status de movimento contra-cultural. Não pretendo terminar aqui essa discussão. O mundo de perpectivas que foram construídas a partir da década de 70 é extremamente amplo. dedicarei outro post isso....até lá conto com suas contribuições.

principais fontes:

Revista Cult - edição 96
A Cultura da Mídia - Douglas Kellner

Wednesday, December 14, 2005


O Bom Rock Irlandês em Vitória

O blog Álcool e Prozac inaugura agora uma nova série de postagens sobre músicos e bandas capixabas. A banda escolhida para a primeira matéria é a Dublin.
A banda faz cover de um dos maiores grupos do rock mundial, U2. Seu trabalho é diferenciado de bandas que fazem cover de outros artistas, pois seus integrantes são fãs e admiram muito o trabalho da banda irlandesa. Fundada em 98, a banda em 2002, teve uma mudança em seus vocais e agora é composta por: Rafael Sodré (Guitarra), Rodolfo Toniati (Baixo), Wilken Meirelles (Voz) e Tennessee Marx (Bateria). Segundo seu site (http://www.bandadublin.com.br/), a proposta é oferecer aos fãs do U2 a oportunidade de assistir um trabalho de fidelidade e paixão nunca visto em Vitória. Prova da dedicação ao trabalho é a rotina de ensaios semanal e antes de qualquer show. Em uma entrevista concedida por e-mail, Rafael relata o que sente como resposta dos fãs."Tão emocionante quanto tocar as músicas do U2 é ver a reação dos fãs a cada música".
Questionado sobre composições, o guitarrista afirma que esta é uma pergunta frenquente, e a vê como um ponto positivo: "Esta é uma pergunta que sempre teremos que responder !!! risos... mas se as pessoas e os músicos de Vitória cobram isso da Dublin de alguma forma, é por que o nosso trabalho em cima do palco é bom e causa a curiosidade nas pessoas de conhecerem um outro lado da Dublin. Mas isso ainda está distante... e quando acontecer, não será mais a "Dublin"". A falta de casas para shows e a não visão da cultura como investimento também foram questões tema das respostas de Sodré. Mesmo com essas dificuldades a Dublin é uma das bandas capixabas com a agenda mais constante. Só de Outubro pra cá foram seis e mais um ensaio aberto no estúdio galpão.
No site da banda é possivel ver e ouvir o som deles e ainda se atualizar sobre U2 e saber da agenda dos caras.
A provável vinda de Bono, The Edge, Adam e Larry ano que vem ao Brasil, deve render à sua banda cover uma procura e interesse ainda maior do público.

Friday, December 02, 2005


  • NOVA CARA, NOVA ALMA!

    Para além das mudanças no layout e na organização do conteúdo, esse mês de dezembro marca uma mudança profunda no Álcool e Prozac. Passada a avaliação do blog na disciplina de jornalismo on line e depois de uma importante fase de autocrítica, percebemos a mudança nos ventos e a questão fundamental: Por que não mudar também?

    Sem dúvida o blog passa agora a ser mais espontâneo do que nunca (dá para imaginar??), a liberdade é total e irrestrita e o clima de euforia toma conta da atmosfera. Mas, como sempre ha de se ter um “mas” e principalmente aqui no A&P, um pouco de organização não faz mal a ninguém. As atualizações serão mais freqüentes, sistematicamente efetuadas ao menos três vezes por semana, em dias ainda por ser fixados conforme a disponibilidade da minha nova agenda.

    Àqueles que tem acompanhado meus posts (que não foram muitos, é bem verdade) meus mais sinceros agradecimentos, sei que tal leitura nem sempre é facilmente digestível e por isso agradeço os minutos que dedicam à leitura do conteúdo deste site. O Álcool e Prozac não perderá suas características centrais, como o carácter pessoal, ácido e crítico com que venho explanando meus humildes pontos de vista. Contudo tão essenciais a esse blog são os comentários de vocês. Discordem, blasfemem, profanem, ultrajem....participem!!!


    Tom Zé e a Opereta Segregamulher e Amor


    Violência contra a mulher e massificação do pagode são os temas centrais do novo disco do cantor, compositor, filósofo e eterno tropicalista Tom Zé. Inusitado, não? Para ele a relação é natural. O pagode e a mulher são os grandes excluídos deste início de milênio. “As primeiras política e socialmente, e o último culturalmente”, explica Tom.

    O artista repete o processo de pesquisa feito com o Samba há cerca de 20 anos atrás e que deu origem ao disco “Estudando o Samba”. Desta vez o objeto de estudo é o pagode, gênero considerado em baixa pelo compositor. Ele mesmo garante que não há nada de irônico nisso, trata-se de uma homenagem.

    Pós-modernista, filósofo, louco ou simplesmente genial? Qualquer que seja a definição não é o suficiente para contemplar todas as facetas da personalidade artística dessa grande figura da música brasileira. Reinventar-se é um conceito bastante familiar para Tom Zé, que foge dos clichês e traça um paralelo entre poesia e crítica social diagnóstica. O disco contém ainda críticas ácidas em relação à decadência do amor, como um sentimento puro e espontâneo no ventre da sociedade individualista contemporânea. Segundo Tom a banalização do conceito de amor é justamente a prova de que o seu real sentido anda em vias do esquecimento. “O que o amor? Aquele da novela das oito, ou será que é o da novela das sete?” desafia em recente entrevista à MTV Brasil.


Monday, October 31, 2005


Homossexualismo adelescente nas páginas da Istoé

A edição de 2 de Novembro da revista “Istoé” traz na parte de comportamento uma matéria muito interessante a respeito do homossexualismo na adolescência. É importante fomentar esse tipo de discussão principalmente pelo fato de tratar-se da uma fase extremamente complexa sob o ponto de vista psicológico. Para além dos clichês, nesses casos é realmente muito mais complicado para um adolescente assumir uma posição aberta em relação a sua sexualidade, tanto por questões sociais, econômicas e psicológicas - que envolvem inclusive a aceitação própria em relação a sua sexualidade.

Bem, não sejamos hipócritas. Eu realmente não acho a coisa mais bacana do mundo um romance entre dois marmanjos, esse barato de barba roçando, coisa e tal. Não acredito também na chamada “importância” da diversidade sexual nesse sentido, o que faz parecer que se não existissem gays nós deveríamos produzi-los para o bem da sociedade. Talvez me estigmatizem por essas posições, o que posso dizer: faz parte da vida. O fato é que o que eu penso ou não a respeito, se eu gosto da idéia ou não, também não faz a mínima diferença. As relações homossexuais foram/são uma realidade nas mais diversas civilizações ao longo da história da humanidade. São diversas as tentativas de explicar que pessoas podem sentir atração pelo mesmo sexo.

Pensar indivíduos primeiramente como seres humanos é sempre uma solução. Não se trata de complacência e muito menos de incentivo, mas de respeito e tolerância. Conceitos não muito complicados a partir do momento que pessoas devem ser reconhecidas por seus valores e ações e não por suas opções sexuais, ideológicas ou culturais. Tolerância e amor ao próximo têm muito mais a ver com aceitar as pessoas e seus diferentes pontos de vista do que pensar que elas necessitam de uma espécie aprovação para gerir suas vidas.

É importante também pensar esse contexto sob a ótica da lógica de consumo da sociedade capitalista. A catarse promovida pelos meios de comunicação é restrita aos estratos da sociedade com poder aquisitivo para mobilizar o desenvolvimento de um outro nicho de consumo. O chamado “pink money” (poder de compra dos homossexuais) promove a elaboração de novos conceitos e produtos, principalmente na industria do entretenimento. Piadas de cunho homofóbico são vistas como algo deplorável (e não pretendo dizer que não o sejam), mas dizer que uma festa “só tem gente bonita” é algo completamenta aceitável e até objeto de promoção. O conceito de “gente bonita” pode ter ainda duas significações que, contudo, não se excluem: pessoas que não se encaixam nos padrões industriais de beleza de nossa sociedade; e pessoas pobres. Não nos enganemos, a diferença de tratamento entre as duas atitudes não é uma mera coicidência cultural (se é que esse conceito – quase neologismo – se aplica a alguma coisa).
Considerar que alguém, simplesmente pelo fato de ser homossexual, pode te assediar de forma explicita e intransigente não é menos preconceituoso do que pensar que um indivíduo pode te assaltar por ser preto, pobre e estar mal-vestido

Thursday, October 27, 2005


Mundialização da Cultura e Idiotice Generalizada

Nunca pensei em viver para ver o funk carioca ganhar staff de movimento cult. Sim, eu acreditei a princípio que a incidência desse gênero musical em festas de classe média fosse uma simples questão de excentricidade. O fato é que, exatamente quando os bailes funk assumem o seu formato mais “limpinho”, socialmente seguro e coincidentemente lucrativo (!) nós vemos emergir – sem contudo questionar sua gênese – um novo case da cultura pop mundial: M.I.A.

Uma indiana cantando funk brasileiro em algum lugar de Londres já seria por si só algo digno de menção. Praticamente um exemplo caricato, retirado de alguns dos textos sobre mundialização da cultura que tenho estudado ao longo do curso de jornalismo. Essa bricolagem cultural quimérica poderia não passar de um simples modismo, caso a mídia nacional não passasse a tratar a garota como a grande descoberta atual da música.

O funk – gostemos ou não – sempre esteve bem diante de nós. Sempre se posicionou de forma incômoda em nossas cabeças como demonstração de uma cultura periférica, marginalizada. O cotidiano nada poético dos morros cariocas era agressivo demais para ser consumido em massa pelos mais distintos estratos sociais brasileiros. A solução vem de fora. M.I.A., menina bonita, rica e exótica; apropriação de algo bem conhecido por nós brasileiros, só que em um formato digno dos padrões globais de consumo.

Bem menos agressiva a partir de um ponto de vista social, a estrela encontra a pista livre e desfila por entre a idiotice generalizada. Nada contra aqueles que se embalam ao som da pequena, mas falar como se o que ela faz fosse uma revolução no cenário musical, ainda mais para um brasileiro, não pode ter outro nome se não “idiotice”. Sejamos um pouco menos inocentes com as mensagens transmitidas pela MTV. Se você gosta de funk, vá na fonte, ouça Deise da Injeção.

Thursday, October 20, 2005


Pearl Jam em SP?

Arrasta-se por tempo indeterminado o impasse a cerca da polêmica realização do show do Pearl Jam em São Paulo. A prefeitura – contrariando expectativas – ainda não se posicionou definitivamente a respeito da liberação do Estadio do Pacaembu. A CIE, empresa organizadora do evento, afirma intransigentemente que não pensa em mudar o show para outros lugares da cidade. Antes disso, cogita a possibilidade de transferi-lo para Belo Horizonte ou Brasília, numa postura bem mimada e arrogante; quase escrevendo na testa: “Nós não precisamos de São Paulo” – o que, sinto muito, mas não deixa de ter uma pontinha de verdade.

Em meio a toda essa incerteza e pressão por todos os lados, o que surgem são meras especulações. Muitas dotadas de uma tocante falta de compromisso com a verdade. O site “O Fuxico”, por exemplo, divulgou semanas atrás - em primeira mão (talvez nem os resposáveis tenha se dado conta disso!) - a liberação do Pacaembu para a realização do evento.

De concreto mesmo somente a declaração do prefeito José Serra – carinhosamente chamado de Mr. Burns por alguns dos enfurecidos fãs da banda norte-americana – de que, independente do local, o show acontecerá em São Paulo. O tucano deixa claro que não quer jogar areia na marmita da rapaziada e, pra variar, tira um pouco das costas o título de inimigo número um do rock’n’roll.

O espaço coletivo dentro do espaço público.

Poderia citar aqui uma gama de motivos culturais e turísticos para considerar esse show muito importante para a cidade de São Paulo – a exemplo da Vereadora Petista Soninha, em sua carta ao prefeito Serra – no entanto, além de bastante óbvio para qualquer um que saiba um pouco sobre a história da música mundial, não considero que esteja na banda o ponto central desta problemática espinhosa. De fato, se uma empresa privada se apropria do espaço físico urbano e coletivo, isso deve ser feito de maneira responsável, a fim de se evitar transtornos. Manter um mínimo consenso que legitime a ação junto à comunidade local e ao poder público é imprescindível dentro dessas condições. O problema é que palavras como consenso e legitimidade nem sempre estão no alvo das relações de queda de braço envolvendo os atores sociais em questão. Muito pouco se fez em matéria de organização para reduzir o caos de veículos estacionados em locais impróprios, vandalismo e falta de saneamento nas vias adjacentes ao estádio, em eventos realizados anteriormente.

Definir apresentaçãoes instaladas no local como “predatórias e comerciais” não está muito distante da realidade. Que o digam nossos vizinhos de Jardim Camburi (Vitória, ES), que passam por situação semelhante durante os quatro dias de carnaval fora de época na orla da Praia de Camburi. O famoso Vital, que acontece anualmente aqui em Vitória, vem – já ha algum tempo – provocando polêmica entre a Organizadora Onda Luz Eventos e associações de bairros visinhos. Quando pessoas finalmente se organizam para reivindicar a solução de problemas dessa ordem, são comumente tachadas como “reacionárias”, “conservadoras” por outras que acabam confundindo seu prazer e entretenimento – ou mesmo seu lucro - com a falta de respeito para com um espaço que é de todos.

Nesses casos, sente-se a necessidade de se restaurar o conceito de espaço público. Uma ampla discussão que procure novas alternativas para a produção de consenso. Em uma época em que pensar o coletivo se tornou algo tão importante, mediante a explosão de individualismos e visões unilaterais; em que as noções de público e privado se confundem, beirando a total esquizofrenia e o Estado se subordina cada vez mais a enteresses particulares, econômicos e especulativos; é necessário que os cidadãos pensem a política não como uma balança de forças heterogêneas, mas como a possibilidade de se atingir o bem-estar comum (ou algo próximo disso).